Se assumirmos um "nascimento" para a estética no século XVIII ele está atrelado indubitavelmente ao pensamento do século anterior. Elio Franzini no seu estudo sobre esse período afirma:
"O século XVIII surge, assim, como o século da estética'; porém, desde o início muito incerto quanto à definição do termo e da disciplina, acerca das suas contradições, acerca dos diferentes matizes relativos a temas aparentemente próximos".
Já inferimos aqui que o termo "estética" impõe-se particularmente graças à obra de Baumgarten, apesar de não atrelarmos unicamente ao uso do termo este nascimento da disciplina enquanto estatuto específico. Talvez o termo se aproxime muito mais de um 'neologismo', derivado do uso substantivo do adjetivo grego transliterado "aisthesis", que remete a "sensação", "sentimento" e "sensibilidade":
"Em Baumgarten, a estética é 'ciência', 'gnosiologia inferior', originariamente situada a meio caminho entre filosofia, poética e retórica. Apesar das múltiplas articulações que, na sua Aesthetica de 1750, Baumgarten atribuir a este termo, é evidente que não é possível fazer coincidir o nascimento da estética com o aparecimento de um nome (por mais afortunado que seja o seu destino), a não ser de modo forçado e completamente arbitrário".
Apesar das muitas críticas ao uso do termo já em meados de 1750, os críticos já afirmavam naquele período, em resposta a Baumgarten, que ele estava tentando transformar em ciência aquilo que os franceses e os ingleses designavam por "crítica do gosto". Posteriormente nos séculos XIX e XX pouco se referem a Baumgarten ou à época setecentista quando buscam esclarecer o horizonte do pensamento estético. Vemos então o debate historiográfico transformar-se em embate filosófico, onde cada um busca triunfar os aspectos teóricos de suas próprias convicções estéticas. As disputas historiográficas não alteram o caráter geral daquilo que hoje consideramos a estética setecentista, qual seja,
"(...) caráter esse que tem a ver com o facto de ela ser uma rica variedade de fenômenos diversos, teorias e ideias que, estando presentes desde há séculos, ou mesmo desde a Antiguidade clássica em certos casos, vêm a revelar, de um modo geral, uma amplitude qualitativa e quantitativa sem precedentes, no âmbito de um quadro onde se cruzam complexidade e confusão".
Já afirmamos o século XVIII ser permeado de mesclas de elementos filosóficos com outras tradições, mas é exatamente nesse período que podemos encontrar pontos de referência, núcleos essenciais que permitem captar o sentido das reflexões considerando mesmo a variante comunicativa das linguagens humanas.
"Convém sempre estabelecer os limites ideológicos das tradições críticas e teóricas que tentaram uma história da estética no século em que nasceu o seu nome, precisamente para não simplificar o quadro de uma época vivida como complexidade irredutível à história, primeiro momento de autoconsciência teórica da modernidade, que tem ali na estética um momento revelador essencial"
Não se trata de tentar explicitar "o que é" a estética mas "como" é a estética, como ela se configurou, afinal o século XVIII não é apenas o século da estética mas também, como ele é mais conhecido, o "século das luzes", e os principais pensadores dessa época parecem não se interessar com os problemas da estética. A que isso se deve? Qual eram então as urgências desses autores? Que ambiguidade é essa?