domingo, 17 de julho de 2011

O caráter filosófico da estética: uma reflexão de Luigi Pareyson.

Na busca por uma definição do que compreende com o termo “estético”, diante da multiplicidade e “por vezes, confusão de significados”, Pareyson argumenta sobre a que concerne o papel do filósofo/estudante de estética:

“O filósofo que pretenda legislar em campo artístico ou que deduza, artificialmente, uma estética de um sistema filosófico preestabelecido, ou que, em qualquer caso, proceda sem considerar a experiência estética, torna-se incapaz de explicar esta última e sua reflexão cessa de ser filosofia para reduzir-se a moro jogo verbal. Em primeiro lugar, a reflexão filosófica é puramente especulativa e não normativa, isto é, dirige-se a definir conceitos e não a estabelecer normas [...] seja porque a estética não é uma ‘parte’da filosofia, mas a filosofia inteira enquanto empenhada em refletir sobre os problemas da beleza e da arte, de modo que uma estética não seria tal se, ao enfrentar tais problemas, implicitamente também não enfrentasse todos os outros problemas da filosofia.

Em seguida Pareyson argumenta sobre o papel do artista dentro do que ele apresenta como universo estético:

“Finalmente, o trabalho dos artistas, críticos, historiadores e teorizadores é essencial para o filósofo da arte, em primeiro lugar, porque oferece ao estético o âmbito de experiência dentro do qual ele deve exercitar sua própria reflexão, o ponto de partida de sua meditação, o lugar onde pode testar a validade de suas teorias, do mesmo modo como as observações de laboratório servem de objeto de reflexão para o físico e de verificação de seu pensamento; [...] porque aqueles, centros conscientes de experiência estética, encontram-se nas melhores condições para dar um contributo ao pensamento estético, sendo o seu um testemunho direto e vivo”.

Luigi Pareyson, na obra “Os problemas da estética”.

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