No contexto da modernidade nós temos de um lado uma orientação baumgarteriana, com a estética como teoria da sensibilidade e do outro, a dimensão da filosofia da arte. A pergunta pelo estatuto da estética como saber particular não poderá ser respondida. O modo tradicional como a estética determinou certas disposições relativas ao sujeito, nesse modo de se postular, é preciso fazer questionamento. O mundo contemporâneo não é mais o mesmo em que a estética se constituiu. Ela não pode mais se manter na forma como originalmente na tradição se colocou. Um autor italiano como Gianni Vattimo, por exemplo, em obras como "O fim da modernidade" e na "Sociedade transparente" constata que a estética tradicional é incapaz de compreender a experiência estética nos rumos tomados nos séculos XX e XXI. Não existe esse lugar específico da arte que foi reconhecido na experiência estética tradicional. Existe hoje um espaço mais amplo da experiência estética que exige um outro modo de ligar com essas novas problematizações.
Não é algo apenas de decisão filosófica ou científica , como se decorresse de uma disposição individual de um autor com sua proposta. É antes de qualquer coisa uma transformação na experiência estética, uma transformação cultural no sentido mais amplo. Por exemplo: como as novas formas de tecnologia vieram influir no campo da experiência estética? O que está em questão não é apenas pensar a arte mas pensar estilos de vida, o modo de vida moderno e o cotidiano dessas mudanças, as transformações que um processo de modernização pode trazer no modo como as pessoas se vestem, falam, convivem, se relacionam, se alimentam etc.
A estética proposta por Gianni Vattimo não se põe como estatuto epistêmico. Ele busca romper com esses estatutos e pensar as questões no campo da experiência estética como experiência cultural mais ampla. Nós temos fenômenos culturais que exigem conhecimento daquilo que pode ser compreendido como estético. Não se trata só de um ornamento ou de teorias do belo, mas implica algo da expressividade humana.
Praticamente a defesa de Vattimo dá-se pela via do fim da estética filosófica como fim da teoria clássica tradicional da estética. Não é que o estético, nem a experiência estética tenham desaparecido, não é isso. Como admitir toda uma tecnologia da informação? Não se pode mais fazer estética com a mentalidade da tecnologia antes das mudanças mas se pode influí-las. Essa "estética frágil" não é mais a estética que busca fundamentar-se numa qualidade estética de forma metafísica. A tecnologia não pode silenciar essas transformações do mundo moderno. É preciso discutir essas mudanças.
O "pensamento frágil" que surge em contrapartida ao pensamento forte marcado pela metafísica intensifica a crise da razão diante do empobrecimento da ideia de um saber global capaz de prevalecer sobre as demais manifestações de saberes e visões particulares do mundo. Trata-se de um trabalho que busca desmistificar e desmascarar pretensas verdades irredutíveis. Vattimo, no entanto, alerta-nos para o fato de que esta forma "frágil" de pensamento não enverede a qualquer nova formulação filosófica. O pensamento frágil é um processo inconcluso, inacabado. As bases metodológicas dessa proposta - que soa como uma metáfora - reconsidera e reinterpreta fundamentos tradicionais da história da humanidade e adota uma postura franca e aberta para as novas manifestações culturais emergentes na sociedade atual.
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