sábado, 12 de setembro de 2020

A radicalização da filosofia da arte: o distanciamento dos fundamentos da estética. A abertura.

Em Baumgarten a arte não é objeto prioritário. Aqui já se está afirmando que a estética, antes de qualquer coisa, é uma doutrina ou uma teoria da percepção ou uma teoria do conhecimento sensível perfeito. Já pressupomos aqui que estética para Baumgartem não é só filosofia da arte. Ainda que essa distinção entre estética e filosofia da arte não se colocasse ainda na época de Baumgarten no momento em que ele propõe a estética como ciência. 

Nas suas origens históricas a estética é algo muito próximo do que posteriormente ficou a cargo da ciência psicologia, na medida em que se reporta a uma teoria da percepção e, após o idealismo alemão - de Schelling a Hegel -, ela deixa de ser estética (como ciência da percepção) e passa a ser filosofia da arte. O que está sendo apresentado? O que a filosofia da arte vem abstraindo e distanciando de uma concepção do que seja estética? Há uma tensão entre o modelo baumgarteriano e a filosofia da arte. Em uma dada realidade, como a filosofia da arte se torna pobre em responder a uma quantidade de questões? Não se trata de uma questão semântica mas uma questão de método.

Estética para Hegel é filosofia da arte porque tem como objeto o belo artístico. Porque a estética é filosofia da arte? O que é o conceito de belo? O que esse conceito de belo difere de outros conceitos? 

A decisão de que a estética tradicional não responde mais não é uma decisão acadêmica. Aqui se trata de uma crítica cultural, de uma reflexão sobre a cultura que mostra que essa estética não é mais capaz de explicar ou compreender os novos fenômenos artísticos, culturais, sociais etc. É como se dissesse que essa maneira de tratar o estético é insuficiente para lidar com esses novos fenômenos. 

Quem quer saber, hoje em dia, de origem ontológica da arte? Ainda é possível uma disciplina filosófica chamada filosofia da arte?

Não dá pra separar hoje estética, crítica social e filosofia da cultura. Nós estamos fundados em uma sociedade que se desdobra para o sensível através da propaganda vinculada, do modo como as pessoas se vestem e até alguns paradigmas científicos, que muitas vezes estão mais interessados em impressionar ao invés do conhecimento inteligível. A percepção vem praticamente pronta através da propaganda que é o modo de ser dessa sociedade.

Não é uma discussão sobre o estatuto da estética como era em Baumgarten, embora ali se ponha um anúncio dessas questões que envolvem o estético e a gnosiologia inferior. Há objetos que se colocam no real através da cultura e da experiência de um indivíduo, da sua subjetividade mas não mais fechado a um universo puramente fundado na estética como saber específico. A experiência estética vem associada a experiência social e cultural no sentido mais amplo: do perceber e ser percebido que remete a relação entre indivíduo, individualidade, posições do indivíduo, e um dado modo em que essa sociedade faz o indivíduo se sentir presente, para se sentir existindo. 

Existir é ser percebido?

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