Texto extraído da obra "Dicionário dos Filósofos" de Denis Huisman.
Filósofo alemão nascido em Berlim em 1714 e falecido em Frankfurt/Oder em 1762. Foi aluno de Ch. Wolff e fundador da estética na Alemanha (Aesthetica, 2 vol., 1750-1758). Kant utilizou os escritos éticos e metafísicos de Baumgarten como leitura obrigatória em seus cursos.
Em 1735, em Meditationes philosophicae de nonnullis ad poema pertinentibus, Baumgarten reclama a elaboração de uma nova disciplina, a estética. E em 1742, dá em Frankfurt/Oder, pela primeira vez na história da filosofia, um curso de estética que constitui a base da obra Aesthetica, que ficou inacabada. Foi graças às publicações mais acessíveis de G.F. Meier (Anfangsgründe aller schönen Wissenchaften, I-III, 1748-1750) que a teoria de Baumgarten pôde exercer influência efetiva mais ampla. Com Baumgarten, a filosofia, que se define então como ciência racional baseada em noções claras e distintas, toma consciência de uma nova região do conhecer que possui exigências próprias em termos de verdade, na forma de poesia e de outras artes. Tudo o que propicia ao poeta e ao artista em geral - enquanto ingenium venustum et elegans connatum ou felix aestheticus (Aesth., parag. 27.29) - a dádiva do "belo pensamento" (schönes Denken) pertence ao domínio da subjetividade e à formação das belas-artes a partir dela. O ingenium integra a proporção, a criação arquetípica, a emotividade, o juízo de gosto, a imaginação, a lucidez, a memótia, um pensamento sublime, a grandeza do coração e a consciência, assim como o entusiasmo (Aesth. parags. 28-46).
A disciplina estética filosófica como tal tem a tarefa de conciliar verdade filosófica com verdade artística, introduzindo a sensação e o sentimento na reflexão para que esta seja ampliada. A estética, portanto, completa a lógica, como deve dirigir a faculdade do conhecer, enquanto gnosiologia inferior, ou seja, ela é a ciência da sensibilidade (sinnlichenErkenntnis: Med., parag. 4; Aesth., parags. 113, 533). A lógica perde então seu monopólio, sendo reduzida por Baumgarten à inteligência (Verstand), numa conotação mais restrita. Em certa medida, o espírito se divide em duas dimensões: "horizonte lógico" e "horizonte estético", com seus direitos próprios (Aesth., 119). Em ICartas Filosóficas, 7, Baumgarten projeta uma "empírica estética" citando Bacon e Boyle, para nela tratar das "armas dos sentidos", a saber, instrumentos ópticos, térmicos etc. E ao lado da astrologia, da fisiognomonia, da emblemática etc., a obra Sciagraphia, póstuma, esboça o conjunto de uma scientia signorum e characteristica semiologica (parag. 25)
No entanto, não foi tanto essa gnosiologia das faculdades inferiores do conhecer que se impôs como teoria, porém mais o felix aestheticus. Pois a abstração da filosofia continua sem elo concreto com o homem e a natureza que o cerca, ao passo que a estética vivifica todo o homem e prepara os caminhos para a verdade, a fim de que ela possa voltar para a alma. Com esse objetivo, Baumgarten procura estabelecer os "bons princípios" para as belas-artes, subtraindo-os às multidão de opiniões contrárias (Aesth., parag. 75). Com a estética, o sujeito entra numa relação sensível com o mundo que se diferencia conscientemente da natureza objetiva concebida a partir da revolução copernicana. A subjetividade torna-se então, por meio do sentimento representado, o fundamento da presença estética de uma natureza que é desconhecida de outro modo.
(...)
continua e finaliza na parte II.
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